No último sábado, vivenciamos uma aula de história sobre a política do Brasil e de Minas Gerais. Através de um jogo bem animado e conhecido pelos quase adultos de hoje, o famoso Passa ou Repassa, disputamos em equipes, quem sabia mais sobre o passado do nosso país.
Em certo ponto, confesso, percebi quão maior é a nossa cultura política do que eu imaginava. Resgatamos Tancredo, Getúlio, jingles famosas que marcaram os tempos de disputas acirradas por cargos importantes como o da Presidência da República. O projeto "Chapéu na Estrada" avança cada sábado um pouco mais em busca dos 5 merecidos jovens que irão viajar por este Brasil imenso e com tanta história pra contar.
Nas provas individuais, as disputas tinham a famosa torta na cara! Formada por espuma de barbear, quem errava a resposta ou via o adversário ser mais rápido, acabava tendo que entrar na brincadeira e sair todo sujo. Eu fui um deles, por duas vezes, diga-se de passagem! Mas valeu a pena.
Quem quiser ler um pouco mais sobre o projeto basta ir no link e conferir http://naestrada.turmadochapeu.com.br/
A COPA DO MUNDO DE 2014
Outubro de 2007, para ser mais exato, dia 30.
Nessa data ilustre, o Brasil era ratificado pela FIFA como o país-sede da Copa do Mundo de 2014. Lembro como se fosse hoje, o engajamento da população a espera do resultado. Todos ansiosos e organizados, com bandeiras em punho, caras pintadas, gritos em coro para pressionar o grupo suíço para que nos escolhessem. E deu certo.
Como sempre surgiram as teorias conspiratórias de que o Brasil já sabia, de que entregou as copas de 2006 e 2010 para poder ser campeão em casa...como existem pessoas criativas nesse país!
A verdade é que a Copa do Mundo é um evento que movimenta a economia da sede de forma inigualável, afinal, estamos falando do maior evento de futebol do mundo. Só no nosso país, serão investidos algo em torno de R$ 33 bilhões, é esperado cerca de 800 mil turistas estrangeiros, fora o turismo interno...além de ser um grande potencializador para questões que andam devagar nos Estado.
MOBILIDADE, ESTÁDIOS, OBRAS...
O turista que chega hoje nas principais cidades-sede do grande evento, se deparam com um canteiro de obras ambulante. São obras para melhorar o transporte terrestre, aumentar a capacidade dos aeroportos e modernizá-los, estádios sendo construídos ou reformados. Operário trabalhando é o que não falta hoje no país, na verdade, está é faltando mão-de-obra em alguns lugares devido a alta demanda por esses profissionais.
Porém a questão é um pouco mais complicada que apenas investir!
Nossa história com eventos do porte da Copa do Mundo não é muito boa quando se fala de recursos e problemas políticos relacionados. A última experiência foi o Pan Americano de 2007, no qual muito dinheiro foi gasto, grandes desvios foram descobertos e a nossa morosa justiça não foi feita, não no nível que precisava ser feito. Com isso, o receio do brasileiro ao ver um evento que agora seria nacional, e não apenas no Rio de Janeiro, só fez aumentar. Após a euforia da escolha, começaram a surgir os valores das contas, os responsáveis foram sendo descobertos e essa animação transformava-se em preocupação.
Muitas cidades-sede tem hoje o problema do atraso, risco de não concluir as principais obras necessárias para absorver o grande número de turistas que movimentarão dentro do país. Essa realidade já estava presente antes da Copa, afinal, grandes investimentos em obras realmente importantes dependem quase de sorte para que aconteça. Mas por quê isso acontece? A Copa do Mundo é realmente boa ou ruim para o nosso país? A conta fecha? Essas são perguntas que ficam na cabeça do brasileiros nos dias de hoje e creio que elas não tenham uma resposta concreta, já que o evento ainda não aconteceu, mas podemos ter uma noção do que irá ocorrer.
A DIFÍCIL REALIDADE
Quando todos criticam que o país poderia estar investindo todo o dinheiro "desperdiçado" com a Copa do Mundo em saúde, educação e outros setores, creio que eles estão movidos pela emoção e pela realidade do nosso país. É claro que a situação dessas áreas na maioria do nosso país é precária, porém, estamos diante de um evento alavancador de investimentos e que talvez gere maior benefício para a população se o dinheiro for direcionado para estádios e afins.
Vamos entender melhor. Embora a FIFA não dê dinheiro algum para o país que sediará o evento, e na minha humilde opinião, está correta, o país consegue trazer com a Copa grandes quantidades de investimento que já precisavam ser feitos e não tinha condições de acontecerem, pelo menos não simultaneamente. A obrigação de melhorar as avenidas, aeroportos, estádios é do Governo, sendo cada esfera com sua responsabilidade. Contudo, o nosso país vive uma dura dificuldade que é o postergamento de obras ou por empecilhos políticos (Partido A na união e partido B no estado) ou por falta de recursos ou até por incompetência dos representantes.
A questão é que a oportunidade de sediar a Copa do Mundo faz com que investidores e empresas privadas voltem sua atenção para o país, possibilitando assim que recursos sejam angariados e essas obras saiam do papel. Um bom exemplo disso é o estádio do Mineirão, na minha Belo Horizonte. Através de uma Parceria Público-Privada, o governo mineiro garantirá a reforma e modernização do estádio sem desembolsar 1 centavo até o início da sua operação. Caso a obra fosse pública, recursos que eram da saúde, educação e outras áreas iriam ser direcionados para que o Estado conseguisse arcar com os custos.
Além disso, essas obras estão empregando muitas pessoas, o que resumidamente, gera maior fluxo de dinheiro na economia, gerando mais impostos arrecadados e maior quantidade de dinheiro para que o governo invista nos setores necessitados. Dessa forma, creio que estamos vivenciando um grande momento do nosso país quanto a melhora da nossa infraestrutura, pena que não tenha sido espontaneamente, e sim com a pressão do evento.
O QUE NÃO PODEMOS DEIXAR ACONTECER
Essa semana estamos vivenciando discussões relacionadas à Lei Geral da Copa do Mundo que regulamentará alguns pontos importantes para a execução do evento no país. Entretanto, conflitos estão surgindo entre as nossas leis locais e as leis da FIFA. Sim minha gente, vocês não estão enganados, a FIFA tem uma lei própria.
Questões como meia-entrada, liberação da venda de bebida alcoólica dentro dos estádios e punição devido a pirataria estão sendo um impasse para que a lei seja votada. Embora muitos acreditam que é válido as imposições da FIFA, visto que foi o país quem se candidatou para sediar o evento, creio que não é simples assim a tomada das decisões.
Temos hoje uma das seleções mais tradicionais do futebol, se não a com maior peso, algum respeito isso deve valer. Acredito que a FIFA não deva investir em obras, entretanto, acho excessivo essa ânsia pelo lucro. Não atuando como um anti-capitalista, porém, a garantia de meia-entrada deveria ser mantida, não por aceitação dessa prática pela FIFA, mas sim por respeito a um país que culturalmente e legalmente tem essa medida nos eventos. Eles querem colocar na conta do governo a diferença que terão de arcar com a meia-entrada, ou seja, vamos pagar o lucro deles! Faz me rir né Blatter!
Eu realmente acredito que nós, brasileiros, precisamos gostar do nosso país muito além da partida de futebol. Ter orgulho da bandeira, do hino, da nossa história e do futuro grandioso que essa pátria amada pode alcançar, mas para que isso aconteça, o nosso engajamento, a nossa união precisa ser efetiva. Não apenas para gritar GOL! Afinal, ser brasileiro de 4 em 4 anos não é nem um pouco satisfatório, e se torna pior ainda por ser apenas em Junho, e não em Outubro, quando ocorre nossas eleições.
Por hoje é só galera, escrevi até demais, mas espero que gostem.
Um grande abraço.
#MovimentaBrasil
Suiça...
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